quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A Meditação como “Prática Integrativa e Complementar de Saúde”

A Resolução n° 380 de 2010 publicada no DOU no dia 11 de novembro de 2010 regulamenta o uso das “Práticas Integrativas e Complementares de Saúde” pelos Fisioterapeutas, desde que comprovada a formação por instituições de ensino superior especialmente credenciadas pelo MEC. Dentre estas práticas são incluídas as “práticas corporais, manuais e meditativas”. Aproveito, então, a publicação da resolução em questão para postar um pequeno fragmento de texto sobre meditação, extraído do livro “Nossa luz interior”, de Jiddu Krishnamurti.

"A meditação não é algo que nós fazemos. A meditação é um movimento que abrange todos os aspectos da nossa vida: como vivemos, como nos comportamos, se sentimos medo, ansiedade, amargura; se estamos continuamente em busca do prazer; se criamos imagens sobre nós mesmos e sobre os outros. Tudo isso faz parte de nossa vida, e compreender a vida com suas várias implicações e ser capaz de libertar-se delas é o propósito da meditação. Precisamos colocar ordem na casa. Nossa casa é o nosso eu.

"Essa ordem não é estabelecida de acordo com um padrão, mas sim, quando nos tornamos conscientes do que é a desordem, do que é a confusão, por que nos contradizemos, por que há uma luta constante entre os opostos e assim por diante. Se não agirmos assim – de verdade, não teoricamente, em nosso cotidiano, em cada momento de nossa vida – , a meditação tornar-se-á mais uma forma de ilusão, uma nova prece, uma outra maneira de desejar alguma coisa.

"O que é o movimento da meditação? Temos de compreender a importância dos sentidos. A maioria das pessoas reage ou age de acordo com as necessidades, exigências e insistências dos nossos sentidos. Estes nunca agem como um todo; holisticamente, nossos sentidos não funcionam nem operam com um todo. Se você se observar e prestar atenção aos seus sentidos, verá que um ou outro se torna dominante e se sobressai em sua vida diária. Portanto, sempre haverá um desequilíbrio entre os outros sentidos.

"O que estamos vendo agora é uma das partes da meditação.
Seria possível os sentidos atuarem como um todo? Você seria capaz de observar o movimento do mar, o brilho da água, sua incansável movimentação, observar toda essa massa de água, apenas com seus sentidos? Ou observar, olhar uma árvore, uma pessoa, um pássaro voando, um riacho, um pôr-do-sol, uma noite de luar, com todos os seus sentidos, completamente acordado? Se a resposta for “sim”, então você descobriu – por si mesmo, não através de mim – que os sentidos não se manifestaram a partir de determinado centro.

"Você está tentando isso enquanto conversamos?

"Olha para sua namorada, seu marido, sua esposa ou para uma árvore com todos os seus sentidos totalmente alertas. Nessa atitude não existem limitações. Experimente e verá. Na maior parte das pessoas, os sentidos estão parcial ou particularmente acionados. Nunca nos movimentamos ou vivemos com todos os nossos sentidos inteiramente despertos ou desabrochados. Colocar os sentidos em seus respectivos lugares não significa suprimi-los, controlá-los, nem mantê-los a distância. Isto é importante, porque se queremos nos aprofundar na meditação, a menos que estejamos conscientes dos nossos sentidos, eles produzirão diferentes formas de neurose, diferentes formas de ilusão; vão dominar nossas emoções. Quando os sentidos se encontram despertos, desabrochados, então nosso corpo aquieta-se por completo. Já observou isso? Muitos de nós forçamos nosso corpo a permanecer quieto, sem se mexer, sem se movimentar, porém, se todos os nossos sentidos estiverem funcionando de maneira saudável, normal e cheios de vitalidade, então nosso corpo relaxa e fica parado.

"Tente fazer isso enquanto conversamos."

Por Fernando M. Pinheiro



Um comentário:

  1. Simples, mas complicado... nada fácil!!! :-/
    Este texto é muito interessante. Entendi então que meditação não é somente sentar, fechar os olhos, ficar em silêncio e tal... é algo q se deve praticar em todos os momentos de nossas vidas. É estar atento a tudo, e ampliar todos os sentidos. É isso, certo? Bem, se eu conseguisse, isso me ajudaria nas minhas aulas de tai chi. Por onde começar?

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